Sem dúvida o assunto mais falado em nosso litoral (depois das delações e revelações telefônicas em Brasília) é a pesca da tainha, que este ano veio fazer a alegria dos nossos pescadores e simpatizantes desta tradicional pesca. Como sou filho de Balneário Camboriú cresci com esta tradição e então resolvi pesquisar um pouco sobre isto e o resultado reproduzo abaixo. Espero que gostem nas próximas coluna vou publicar algumas receitas.

Origem da Tainha ou Muglídeo

A tainha é um peixe que integra uma família conhecida como mugilídeo. É um animal aquático que está disseminado por todo o Planeta; a maioria pode ser inserida no gênero Mugil, mas outros gêneros também se enquadram nesta categoria. Ele pode ser encontrado principalmente em litorais de clima temperado e tropical, mas alguns vivem igualmente em águas doces, a tainha tem uma grande família que englobam mais ou menos 80 espécies, distribuídas em 17 gêneros, seu prato predileto na cadeia de alimentação são a algas, além das algas, ela consome vermes e resíduos que retira das camadas subaquáticas, seu desenvolvimento é durante três anos, quando finalmente o macho alcança a idade sexual, enquanto as fêmeas levam quatro anos para atingir a mesma etapa. 

Seu período reprodutor acontece no espaço que se desenrola entre julho e novembro, ela ocupa lugares como costas repletas de rochas, manguezais e praias., no inverno é o melhor momento para sua pesca, exatamente quando estes peixes se reproduzem. Nos dias em que o sol brilha intensamente, eles buscam as sombras das árvores nos manguezais, este peixe pode alcançar o peso de sete quilos; é mais fácil encontrá-lo em baías e águas estagnadas.

A EXPLORAÇÃO ATUAL DO RECURSO

Atualmente, a maior parte da pesca da tainha ocorre durante o período de migração reprodutiva, desde a costa do Rio Grande do Sul até o litoral paulista, o que pode acarretar uma diminuição da abundância dessa espécie e prejuízos para as pescarias futuras. Nos últimos anos, com a diminuição da pesca da sardinha-verdadeira Sardinella brasiliensis (Steindachner, 1879) (Clupeiformes: Clupeidae), a frota industrial de traineiras do sule do sudeste do Brasil passou a dirigir suas capturas para espécies antes consideradas acessórias, entre elas, a tainha. O desenvolvimento tecnológico e o aumento do poder de pesca causado pelo uso de ecossonda, sonar, GPS e “Power Block” que possibilitou o aumento do tamanho das redes de cerco, atingindo até 1.400 m de comprimento e mais de 100 m de altura, com malha de 12mm medidas de nó a nó, tornaram a tainha altamente vulnerável, resultando na diminuição da captura dessa espécie por pescadores artesanais.

Foto: Marco Bocão/Decom

Na costa de São Paulo, considerando as informações estatísticas para o ano 2004 (ÁVILADA-SILVA, 2005), as principais capturas desembarcadas de tainha ocorrem nos portos de Santos e Guarujá (53,4%) seguidos de Cananéia (25,6%) e Iguape (17,5%). Do total, 55,8% foi proveniente dafrota industrial de traineiras, 20,5 % da pesca artesanal de cerco-fixo e de 10,2 % da pesca com rede-de-emalhe. Do total de 613,6 toneladas desembarcadas, apenas 6,5% foi capturada com o arrasto-de-mão (ou arrasto-de-praia), arte de pesca tradicional para o recurso, no município de Iguape. No litoral norte do Estado de São Paulo, os desembarques controlados provêm da pesca industrial com rede-de-emalhe e algumas traineiras. É preciso salientar que as capturas da pesca artesanal nem sempre são reportadas para consolidar a estatística pesqueira. Na região do litoral de São Paulo , não se utiliza mais o arrastão-de-praia, tanto pela pouca disponibilidade dos cardumes como pela dificuldade de conseguir a mobilização do grande contingente humano necessário para a pescaria, decorrente de alterações na organização social das comunidades. Assim, tainhas e paratis são capturados, atualmente, quase que exclusivamente pela pesca com rede-de-emalhe. No Litoral de Santa Catarina ainda mantemos esta tradição milenar de puxar a rede de arrastão na praia, e este ano Deus e o mar estão bem generosos pois as tainha chegaram aos milhares para alegra os olhos, o coração dos nossos verdadeiros e resistentes heróis pescadores.

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