Para a estreia da coluna escolhi um tema que tem muita relação com o calorão que se abateu no último verão e também nas primeiras semanas de maio, por exemplo, nos últimos verões o calor no nosso estado bateu recorde. Em Criciúma, no Sul do Estado, no fim de 2012 a temperatura chegou aos 44°, com a sensação térmica passando dos 50°. É público e notório que o aquecimento global tem sua culpa já devidamente comprovada pelos cientistas da ONU. Mas nas megas e grandes cidades na área dos seus centros urbanos, este calor fica mais intenso e a sensação térmica chega a ultrapassar mais de 8° da registrada, e este fenômeno atualmente é conhecido no meio ecológico como ILHAS DE CALOR .

Como surgem as ilhas de calor?


Vivemos em uma sociedade em constante transformação, seja em seu aspecto social ou habitacional, com o êxodo rural, as áreas urbanas cresceram de modo desenfreado e desordenado, afinal antigamente não se tinha a preocupação do crescimento sustentável, e as mudanças ocorreram muito mais rápidas e os grandes centros estão cada vez mais populosos. Infelizmente o progresso não vem sozinho, junto com ele também vem os problemas de moradia, saneamento, mobilidade e mobiliário urbano e claro fenômenos climáticos cada vez mais intensos.

O elevado grau desta urbanização nas grandes cidades ocasiona o aumento da temperatura média, que costuma ser mais elevada do que nas regiões rurais. Este fenômeno que acontece nas áreas das cidades onde possui uma grande concentração de cobertura asfáltica e construções de concreto e impermeabilização dos solos devido ao calçamento e deslocamento da água por bueiros e galerias, reduz o processo de evaporação não usando o calor gerado, e sim o absorvendo. Os edifícios que em sua maioria são construídos de cores claras para refletirem a luz do sol visando amenizar as temperaturas internas devolvem o calor para as ruas que absorvem e irradiam este excedente de calor acarretando no aumento da temperatura, consequentemente a umidade relativa do ar também fica baixa nestas áreas, provocando ainda mais para o aumento da temperatura.

Outros fatores como a pouca quantidade de área verde e o elevado grau de poluição atmosférica também contribuem para o aumento da temperatura. A elevada quantidade de veículos nos grandes centros urbanos também geram malefícios, pois eles emitem inúmeros gases poluentes. A circulação do ar fica cada vez mais prejudicada, pois os edifícios acabam impedindo o curso normal dos ventos. Esses fatores juntos acabam por contribuir para uma maior quantidade de chuvas, já que o calor faz aumentar a evaporação da água, acelerando o processo pluvial, este conjunto de ações que acabam elevando a temperatura provocando o fenômeno chamado Ilhas de Calor.

Efeitos das Ilhas de calor 

 

As ilhas de calor ocasionam efeitos danosos como a intensificação do fenômeno do aquecimento global, o aumento da precipitação convectiva, das tempestades associadas a nuvens do tipo cumulo-nimbo sobre a área urbana. O aumento agravado das ondas de calor podem provocar o aumento da mortalidade de idosos e doentes, com redução da capacidade termorreguladora corpórea e de percepção da necessidade corpórea de hidratação em idosos e pacientes com doenças mentais ou de mobilidade. O aquecimento urbano, acompanhado da poluição, gera um impacto lesivo à saúde, sobretudo entre crianças e idosos. Segundo a pneumologista Irma de Godoy, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina (FM) da UNESP, campus de Botucatu, o ar seco resseca o nariz e a garganta, favorecendo a ocorrência de asma, bronquite e outros processos inflamatórios. “Se for exposto por um período prolongado à poluição atmosférica, o organismo pode apresentar problemas semelhantes aos do tabagismo, com comprometimento cardiorrespiratório”, diz. O calor, além disso, afeta o metabolismo humano, que reage produzindo suor, como defesa para manter a temperatura do corpo entre 36ºC e 37ºC. 

De acordo com o infectologista Domingos Alves Meira, professor emérito do Departamento de Medicina Tropical da FM, essa busca do equilíbrio térmico enseja problemas como desidratação e falta de apetite, com a consequente perda de energia e o aumento da fadiga. “Em crianças, principalmente, esse desequilíbrio pode ser fatal”, argumenta. O médico lembra que a proliferação de mosquitos transmissores de enfermidades como dengue, Zica, malária e leishmaniose é outro relevante transtorno causado decorrente ao aquecimento urbano,  “Um ambiente quente e sem saneamento favorece a propagação de doenças, como as diarreias infecciosas, que em países subdesenvolvidos acometem principalmente as crianças, com elevada mortalidade”, alude o médico. A tuberculose igualmente tem sua disseminação promovida em regiões quentes e locais de pouca estrutura, como os cortiços e favelas, “Dentre as enfermidades infecciosas, a tuberculose é a que mais mata em todo o mundo, em especial nos países pobres”, adverte Meira.

Registros de Ilhas de calor no Brasil e no Mundo


Uma ilha de calor muito intensa se abateu na Europa em 2003. A população da França foi muito atingida e mais de 1500 pessoas morreram nos dias de forte calor, principalmente nas metrópoles, entre os dias 3 e 14 de outubro de 2003. No ano passado houve outra onda de calor que colocou toda a Europa em alerta, que você pode ler neste link da Folha de São Paulo.

No Brasil, na capital paulista houve um aumento da temperatura em torno de 1,2ºC desde os anos 1950, período de intensa industrialização. Na mesma época, Nova Iorque registrou uma elevação de 0,8ºC na sua temperatura média. “Ainda que consideremos as diferenças da realidade de cada lugar, o aquecimento da metrópole paulistana é exorbitante”, argumenta Magda Adelaide Lombardo, geógrafa do campus da UNESP de Rio Claro, que desde o final da década de 1970 estuda as ilhas de calor na maior cidade brasileira.

De acordo com as estimativas, apenas 3% do solo da região metropolitana de São Paulo possui cobertura de vegetação. A impermeabilização excessiva provoca o escoamento mais acelerado das águas das chuvas, diminuindo o tempo de evaporação. Esse processo reduz a umidade relativa do ar, que é cerca de 5% menor do que nas áreas mais arborizadas e menos povoadas.

Na próxima semana vou escrever sobre como podemos mitigar as ilhas de calor e tornar nossas cidades mais confortáveis climaticamente para se viver, até sábado que vem e boa semana para todos.

Gil Koeddermann 


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