Há exatos 120 anos, Itajaí, ainda jovem com seus 36 anos, ganhava um novo e importante espaço para as atividades sociais da elite itajaiense. Na época, formada pelas famílias Konder, Malburg, Liberato, Bornhausen, Bauer, Asseburg, Heusi, Amaral, Seára, Fontes e outros sobrenomes tradicionais da região. Foi no dia 21 de março de 1897 que nascia a Sociedade Carnavalesca Guarany. A primeira sede foi construída em 1901, na gestão de Geraldo Pereira Gonçalves, localizada na esquina da Rua XV de Novembro com a Rua José Bonifácio Malburg. De acordo com arquivos históricos, o terreno havia sido doado por Manoel Marques Brandão, pai de João Marques Brandão, um dos fundadores do Clube. 

A construção do clube na cidade teve como intuito congregar as famílias que sofreram com a Revolução Federalista, que aconteceu entre os anos de 1893 e 1895, no Sul do Brasil. No início o clube oferecia apenas eventos ligados ao carnaval, por isso o nome. Com o passar dos anos, foram inseridas atividades sociais, recreativas, culturais e esportivas. 

Solenidade Cívica. Década de 40. 

Na década de 50, com a influência norte-americana na alta sociedade, construiu-se uma nova sede, na rua Hercílio Luz. Inaugurada em 1953, contou com projeto do então presidente Genésio Miranda Lins que inspirou-se nas mansões hollywoodianas. Jornais da época destacavam a dificuldade de arrecadar fundos para a obra. Desafio este que motivou ainda mais Miranda Lins e seu vice-presidente, Abdon Fóes a concluir a construção ainda em sua gestão. Já na década de 70, na gestão do presidente Gil Nascimento, foi comprado o terreno na Praia Brava, onde atualmente encontra-se a sede esportiva. 

Inaugurada em 1953, a nova sede contou com projeto do então presidente Genésio Miranda Lins 

Estatuto


No ano de 1899, sob o comando da diretoria de Geraldo P. Gonçalves, o Guarani definiu o primeiro estatuto do clube. Atualmente, com quase 700 sócios, o clube segue as seguintes finalidades:

I – promover diversões e recreações para os associados e dependentes,

II – estimular o convívio entres os associados,

III – promover atividades culturais, esportivas, artísticas, turísticas e sociais, sempre de caráter amadorístico,

IV – colaborar em campanhas e promoções cívicas, educacionais, sociais e assistenciais, bem como em programas de fins humanitários e patrióticos, dos poderes públicos ou da iniciativa privada.

Carnaval e Bailes de Debutantes


Não existe um itajaiense que não tenha escutado falar dos tempos áureos dos carnavais da Sociedade Guarani. Quem não vivenciou, com certeza já ouviu alguma história divertida de quem muito se divertiu nesta época. Os bailes carnavalescos reuniam centenas de pessoas que esperavam ansiosos para participar dos concursos de fantasias. Algumas mulheres, elegantemente fantasiadas, participavam do concurso de Rainha, título muito disputado. 

Foto: Dilane Barendse.

Enquanto evento tradicional na família brasileira, os bailes de debutantes também eram atrações à parte no Guarani. Era o momento em que as meninas seriam apresentadas à sociedade itajaiense e catarinense, através de uma grande e luxuosa festa. Em 1950 foi realizado o primeiro baile no clube que teve como debutantes: Clarisse Bosco, Helenir Tolentino, Maria Augusta Peixoto, Rosi Santos Lins e Tatiana D'Ivanenko. 

16 anos de dedicação

É com muito saudosismo e carinho que o arquiteto, Homero Malburg, 71 anos, fala sobre o Guarani. Sócio desde a década de 70, atuou como presidente entre os anos de 1999 e 2015. Foram 16 anos de uma vida dedicada ao clube, junto de sua esposa Élia. Homero conta que ao assumir a presidência, a sede do centro estava em uma situação precária, tanto estrutural quanto em números de sócios. "Logo que assumi como presidente, priorizei a reforma do clube, telhas, salão superior, cozinha, vestiários para  funcionários, ar condicionado, entre tantas melhorias que acabaram atraindo novos sócios", comenta Malburg. 

Homero Malburg. Foto: Marlon Guello. 

A dedicação pelo clube fez com que Malburg e sua esposa promovessem com muito esmero diversos jantares dançantes e temáticos ao longo de sua trajetória na presidência. Conta com orgulho dos grandes artistas que já pisaram no palco do Guarani, como a cantora de bolero Tânia Alves e o coreógrafo e dançarino Carlinhos de Jesus. Os jantares com culinárias temáticas como a noite árabe, alemã, entre outras, eram organizados com riqueza nos detalhes. "Era fascinante! Nós tínhamos o trabalho de cuidar de cada detalhe dos eventos e fazíamos aquilo com muito amor", diz Malburg. 

Momentos marcantes

Como sócio, lembra e elogia muito o mandato de Gil Nascimento. "Era uma época muito boa também. Os bailes de carnaval da segunda-feira atraiam gente de todas as cidades. Era famoso na região". A admiração é tanta que antes de deixar a presidência, em 2015, prestou uma homenagem à família de Gil. "Colocamos uma placa em homenagem a Gil Nascimento no Hall de entrada do Clube. A solenidade foi emocionante", relembra. Já em 1997, quando ainda fazia parte da diretoria, um dos eventos que mais lhe emocionou foi o Centenário do clube. "Nesta época o Guarani estava com muito dinheiro devido a venda de parte do terreno na Praia Brava e pode realizar um evento grande com a presença das famílias dos fundadores". 

São inúmeras as histórias vividas pelo arquiteto enquanto frequentador do Guarani. Lembra do tempo em que era valorizado o baile de debutante, onde as jovens de 15 anos esperavam ansiosas pelo dia em que vestiriam os belíssimos vestidos brancos e salto alto. "Houve um tempo em que precisávamos limitar o número de debutantes, devido a grande procura. Hoje em dia a tradição não existe mais, por isso extinguimos este evento da programação".

Foto: Miriam Rangel Rosa

Outro evento muito conhecido na região era o baile de carnaval da segunda-feira, que atraia pessoas de todas as cidades. "O Guarani tinha um lucro muito bom com este evento, mas quando eu assumi, em 1999, percebi que já não tinha mais força como antigamente", lamenta. Malburg brinca que enquanto no passado tinha uma tropa de choque na entrada do Guarani pra não deixar ninguém invadir, nos últimos bailes que promoveu enquanto presidente, ele, um diretor e o tesoureiro iam para a frente do clube convidar as pessoas para entrar. 

Boas lembranças

Os antigos sócios estão dando espaço para jovens famílias que privilegiam atividades esportivas e um bom momento de lazer, o que hoje em dia é possível com a sede na Praia Brava. Mesmo adaptado a esta nova fase, as lembranças dos tradicionais e divertidos bailes de carnavais ainda fazem brilhar os olhos do Sr. Reynaldo José Wanderhec, proprietário da Agência Mundial. Sócio há mais de 50 anos, quando ainda era solteiro, Reynaldo conta que um dos momentos mais marcantes foi a derrubada do antigo prédio centenário, um marco na história do clube.

Sr. Reynaldo José Wanderhec. Arquivo Pessoal. Foto: João Souza

Frequentador dos carnavais e festas na década de 60, Reynaldo lembra com alegria dos bailes, desfiles e importantes casamentos que já passaram pelo salão do Guarani. Apreciador de uma boa dança, o empresário conta com orgulho de suas conquistas. "Tenho o prazer e satisfação de disputar e vencer concursos de danças de alguns anos atrás. Que volte a ser seguido para incentivar novos pés-de-valsa.", brinca. Para o futuro, o antigo sócio preza pela manutenção da sede no centro da cidade e acredita muito no potencial da unidade na Praia Brava. 

Nova fase

120 anos não é pra qualquer um. O Guarani é considerado um patrimônio cultural de Itajaí. À frente da presidência do clube desde 2015, Alexandre Kleis, 55 anos,  chegou para dar um novo sangue ao futuro do Guarani. "A presidência anterior estava em sua oitava gestão, ou seja, há dezesseis anos à frente do clube. Nossas primeiras ações foram estabelecer um orçamento para o clube, iniciar a normatização dos processos administrativos e dar transparência às decisões da Diretoria Executiva", comenta Kleis. Com a efetiva participação do presidente do Conselho Deliberativo, Dr. Eduardo Marques Brandão, neto de um dos fundadores, foi possível atualizar o Estatuto Social e elaborar um Plano Diretor, que norteará o crescimento do clube até 2035.

Alexandre Kleis ao centro. 

Sócio desde o início da década de 90, o atual presidente acredita que mesmo valorizando o passado, o Guarani vive outra fase.  "A fase áurea dos eventos sociais nos clubes passou. Os bailes de debutantes e os bailes de Carnaval foram sucesso em décadas passadas, mas, hoje, não ocorrem mais. De um certo modo, nosso clube está começando de novo. Em 2013 tínhamos 200 sócios; hoje, são 650. Não queremos, pelo menos por enquanto, passar de 700".

Sede Esportiva na Praia Brava

Com uma área de 396 mil metros quadrados, a sede esportiva na Praia Brava recebe uma atenção especial para que parte do terreno seja explorado com a finalidade de ampliação. Grande fração deste espaço permanecerá intocável, respeitando o limite permitido. De acordo com Kleis, um dos projetos para o futuro é despoluir o ribeirão do Cassino, que corta a propriedade, para tornar a lagoa do Cassino um local de lazer em total contato com a natureza.


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