Dois homens foram presos na tarde de quarta-feira (21) após uma mulher grávida ser encontrada morta em Itapema, no Litoral Norte catarinense. Conforme a Polícia Militar (PM), a suspeita é que ela tenha morrido após uma tentativa de aborto. O dono do local e o namorado dela foram presos.

O corpo foi encontrado por volta das 19h30 em um quitinete no bairro Tabuleiro Oliveira. A jovem de 23 anos estava sem vida sobre uma cama, segundo a PM. Ainda de acordo com a polícia, a jovem estava grávida de seis meses.

Foram encontrados e apreendidos equipamentos cirúrgicos, produtos químicos e medicamentos com suspeitas de uso abortivo. Uma máquina artesanal de sucção também foi retida.

O responsável pelo quitinete era um homem de 56 anos e o namorado da vítima, um rapaz de 26 anos. Ambos foram encontrados pela polícia no local.

Segundo a PM, os depoimentos dos dois se contradiziam, mas eles relataram que a grávida teria tido um sangramento no banheiro e desmaiou. O banheiro, no entanto, estava limpo no momento em que a perícia chegou. A Polícia Civil informou que há indícios que eles tentaram limpar as marcas de sangue no imóvel.

A Polícia Civil e o Instituto Geral de Perícias (IGP) estiveram no local. Os dois homens foram presos em flagrante e levados para a Delegacia de Itapema. Depois, foram encaminhados para Unidade Prisional Avançada (UPA) da cidade.

Investigação

Segundo a polícia, o casal veio de Minas Gerais e os dois eram estudantes universitários. A Polícia Civil afirma que havia vários indícios de prática de aborto, que é crime pela lei brasileira.

“Foi encontrada uma quantidade significativa de medicamentos que são notoriamente conhecidos para a prática de aborto”, disse o delegado regional Davi Queiroz.

O homem morava na quitinete alugada desde 8 de janeiro e vendia medicamentos pela internet, conhecidos para uso abortivo, segundo a polícia. Vizinhos disseram à reportagem que nunca viram movimentação estranha na região.

“A prisão é por aborto com consentimento da gestante. A pena é de 4 anos de reclusão, mas como teve o resultado morte, essa pena pode ser duplicada e vai para 8 anos. Também há o crime que é falsificação e venda de medicamentos sem os órgãos competentes autorizarem, esse crime tem uma pena mais grave, pode chegar a 15 anos de reclusão”, completou o delegado.

Nenhum dos dois presos tinha passagem pela polícia.

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